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O fumo como um fator que
pode influenciar a doença periodontal
Fatores ambientais, de natureza socioeconômica ou comportamentais (como
o hábito de fumar), podem ter significante relação com as doenças
periodontais. Em países desenvolvidos as populações com nível
socioeconômico mais baixo não conseguem ter uma dieta adequada e nem uma
higiene oral eficiente, contribuindo desta forma para uma condição
periodontal ruim. Em países subdesenvolvidos a maior prevalência de
problemas periodontais talvez possa ser explicada pelos baixos níveis de
educação, associados com baixa renda e a nutrição deficiente, atuando em
conjunto.
Diversos estudos
demonstram que o tabagismo também pode influenciar a saúde periodontal,
assim suspeita-se que o fumante tenha um risco maior em desenvolver
doença periodontal.
Entende-se por
fumante, como sendo aquele indivíduo que tem disposição duradoura e
repetição freqüente do ato de fumar cigarro.
Já em 1947, afirmava-se que os fumantes parecem ter
maior acúmulo de cálculo do que os não fumantes.
Em 1986, analisou-se a redução das
profundidades de bolsas periodontais, após tratamento não cirúrgico, em
pacientes fumantes e não fumantes. A redução das bolsas mostrou-se
similar em áreas posteriores, porém em áreas anteriores esta redução
pareceu ser menor nos fumantes.
Em 1990
realizou-se um estudo com jovens fumantes, onde encontrou-se um
significante incremento na prevalência da recessão gengival localizada e
da perda de inserção.
Em 1994 e em 1995 demonstrou-se que a
existência de relação entre o fumo e a condição periodontal é
verdadeira, pois mostra-se associação entre a prevalência de doença
periodontal moderada e severa com o número de cigarros fumados por dia
e o número de anos em que o paciente tem o hábito de fumar.
Em 1996, demonstrou-se que o tabagismo
incrementa o risco de infecção subgengival com patógenos periodontais,
destacando-se entre eles: Actinobacillus actinomycetemcomitans,
Bacteroides forsythus e Porphyromonas gingivalis.
Segundo a Academia Americana de
Periodontologia (1996), as substâncias tóxicas do cigarro podem trazer
efeitos maléficos ao periodonto, seja afetando diretamente as células do
periodonto (fibroblastos) ou alterando a resposta imunológica. A
nicotina, por exemplo, é uma das mais de 2000 substâncias potencialmente
tóxicas do cigarro, onde observa-se que em baixas concentrações pode
estimular a quimiotaxia dos neutrófilos, mas em altas concentrações pode
prejudicar a fagocitose. Há também relatos, que afirmam que, nos
fumantes ocorre uma diminuição dos níveis de anticorpos salivares (IgA)
e séricos (IgG) para P. intermedia e F. nucleatum, além
de possuirem uma redução no número de linfócitos.
Há
relatos de que o fumo pode ser um dos mais significantes fatores de
risco no desenvolvimento da doença periodontal18. Tem sido
documentado que os componentes do fumo podem induzir ou exacerbar várias
formas de doenças periodontais por dano local direto aos tecidos
periodontais e/ou pela alteração de nossa resposta imunológica, que
prejudicaria a neutralização da infecção e facilitaria a destruição dos
tecidos do periodonto.
Em 1997, comparou-se 997 indivíduos jordanianos
(45% fumantes e 55% não fumantes) entre 20 e 60 anos de idade. Foi
encontrado um baixo nível de higiene oral tanto em fumantes como em não
fumantes, porém com escores de placa e cálculo maiores em fumantes, sem
no entanto encontrar diferenças significantes entre os dois grupos no
que se refere a sangramento gengival e profundidade de bolsas
periodontais.
Em 1997, no Charles Clifford Dental Hospital
(Inglaterra), comparou-se um grupo de 20 fumantes com outro de 20 não
fumantes com similar nível de doença periodontal (Periodontite de Adulto
Moderada para Severa) e verificou-se que há uma significante variação de
temperatura em sítios subgengivais entre fumantes e não fumantes. Os
fumantes apresentavam os sítios subgengivais 0,4 graus Celsius mais
quentes, tanto para os sítios sadios como para os sítios doentes. A
importância do estudo é entendida uma vez que a elevação da temperatura
do sítio subgengival acima de 35,5 graus Celsius pode ser um indicativo
de futura perda de inserção, e que também induz a maiores proporções de
patógenos periodontais como: Prevotella intermedia,
Peptostreptococcus micros, Prophiromonas gingivalis e
Actinobacillus actinomycemcomitans.
Em 1998 mostrou-se que os fumantes parecem não
responder tão bem quanto os não fumantes nas formas de terapia
periodontal não cirúrgica.
Em um estudo feito em Varmland (Suécia) em 1998,
comparando as proporções das necessidades de tratamento, medidas pelo
índice CPITN (Índice Comunitário Periodontal e Necessidades de
Tratamento da Organização Mundial da Saúde), em fumantes e em não
fumantes de 35, 50, 65 e 75 anos de idade, encontrou-se que as
necessidades de tratamento eram maiores nos fumantes em todos os grupos
etários.
Conclusão
Tomando-se como
referência os estudos citados, conclui-se, com grande possibilidade de
certeza, que a doença periodontal pode ter seu curso evolutivo agravado
por questões relacionadas com o hábito de fumar. Mostrando assim uma
possível associação entre a prevalência e a severidade da doença
periodontal com o tabagismo.
Como a severidade da doença periodontal está
relacionada à duração e a quantidade de cigarros fumados, observa-se
que os dentistas devem adotar um novo papel, o de instruir a população e
engajar-se em campanhas anti-tabagismo, exercendo assim a função de um
verdadeiro promotor de saúde. Uma vez que o fumo está também associado
com a incidência e a prevalência de uma variedade de doenças sistêmicas,
como o câncer, baixo peso ao nascer, doenças pulmonares,
gastrointestinais e cardiovasculares.
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